Guedes Pinto: modelo ultrapassado. [foto Gervásio Baptista/ABr]
|
As mudanças na forma de financiamento do setor rural em discussão no governo poderão reduzir praticamente à metade os gastos do Tesouro Nacional com subsídio de taxa de juros aos agricultores e políticas de proteção de preço, na avaliação do vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. Atualmente, a despesa anual do governo com equalização de juros e compras de produtos para garantir preços mínimos, evitando queda na renda dos produtores, é de cerca de R$ 4 bilhões. Segundo o vice-presidente do BB, o valor pode cair para R$ 2 bilhões, chegando, no máximo, a R$ 2,5 bilhões com a introdução de novos instrumentos de mercado na estrutura de financiamento agrícola.
Responsável por 63% do crédito agrícola no país, o BB, apesar não ser um órgão formulador de políticas, tem uma participação no debate da equipe econômica sobre alterações nas regras de financiamento para o setor rural. A crise financeira mundial, que retraiu o mercado de crédito, na avaliação de Guedes Pinto, mostrou que o modelo atual está ultrapassado e requer mudanças. Um ponto central, para ele, é justamente reduzir a volatilidade da atividade agrícola, o que, acredita, atrairá o interesse de instituições privadas para o financiamento da safra. Para o vice-presidente do BB é essencial criar mecanismos de garantia de renda para os produtores, com a utilização de instrumentos financeiros modernos, como o mercado de derivativos.
|